83,23% dos aprovados na UFRR estudaram em escolas públicas
O projeto de lei nº 73/99 que reserva 50% das vagas nas universidades federais para alunos egressos de escolas públicas tem previsão de votação na Câmara dos Deputados para o mês de abril. Em caso de aprovação, essas universidades têm até seis anos para adotar o sistema de cotas.Algumas universidades já adotam o sistema, principalmente aquelas cuja diferença entre alunos egressos de escolas particulares e de escolas públicas é alta e em favor dos primeiros. Mas este quadro muda completamente quando se trata da Universidade Federal de Roraima (UFRR). A instituição chegou a aprovar 84% deste público em um de seus vestibulares. UFRR - Dados do Departamento de Ensino de Graduação (DEG) da UFRR apontam que, dos 513 aprovados no Vestibular 2006 que se cadastraram para o 1º semestre, 427 fizeram o Ensino Médio em escolas públicas, ou seja, 83,23%. Já no Curso de Ciências Sociais, que mais recebeu alunos dessas escolas, o número ultrapassa 94% dos aprovados. Entre os cursos mais concorridos do vestibular, das 35 vagas de Direito, 27 foram preenchidas por este público. No caso de Medicina, 12 aprovados do total de 20 estudaram em escolas públicas. Um deles foi Evelyne Nayandra que, inclusive, tirou 1º lugar geral no Vestibular 2006. "Sempre estudei em boas escolas públicas e aproveitava o conteúdo transmitido em sala de aula", revela ela os motivos da sua aprovação.
O Professor Carlos Evangelista, do Departamento de Pedagogia da UFRR, analisa o caso ímpar de Roraima em que alunos de escolas públicas e de particulares competem de igual para igual pelas vagas da universidade. "No estado, existe uma cultura da presença forte dos poderes públicos na sociedade, e a classe média esclarecida e classe alta utilizam os serviços escolares públicos fazendo com que por um lado haja uma preocupação com a melhoria desse ensino e por outro a cobrança da sua qualidade pelos setores sociais envolvidos", explica Carlos. Segundo a Professora Ednalva Dantas, Pró-Reitora de Graduação, a realidade prevista pela legislação do sistema de cotas não é a mesma da UFRR porque o ingresso de alunos de escolas públicas é superior à exigência do projeto de lei e acontece pela competência deles. "Esperamos sempre atender esta parcela da população do estado e do país", destaca ela.A proporcionalidade entre ingresso de alunos de escolas particulares e de públicas em cada estado não é considerada no projeto de lei. Isto só acontece para os negros, pardos e índios que têm vagas reservadas entre os 50% exigidos pelo sistema de cotas.
DEBATE LONGO - O sistema de cotas já foi um dos pontos do projeto 3627/2004 referente a Reforma Universitária, o projeto de lei de 1999 sofreu emenda do Governo Federal para que fosse instituído em seis anos, sua proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, recebeu substitutivo que prevê a reserva de vagas em cada curso e em cada turno das universidades, sua votação já foi adiada após requerimento de líderes da oposição pedindo discussão do tema no plenário e seu projeto de lei espera aprovação entre os dias 11 e 13 do próximo mês.O Governo Federal espera que até o final do ano 25 mil alunos matriculados nas universidades federais de todo o país sejam egressos de escolas públicas. A Universidade Federal de Roraima deseja estar sempre acima da média de 50% da reserva exigida pela futura lei que institui o sistema de cotas.