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Enquanto 32% dos alunos do ensino médio consideraram seguir a carreira de professor, apenas 2% efetivamente vão prestar o vestibular para pedagogia ou alguma licenciatura. Os dados são da pesquisa “Atratividade da Carreira Docente no Brasil”, apresentada pela Fundação Carlos Chagas nesta quinta-feira (25/2), em São Paulo (SP). O estudo revelou que a visão negativa não é resultado da falta de identificação profissional ou pessoal com a docência, mas sim das más condições de trabalho a que o professor é submetido.
De acordo com os alunos, o docente desempenha papel fundamental, sendo modelo formador de opinião na sociedade. No entanto, acreditam que o profissional é desvalorizado pelos próprios alunos, sociedade e governo. A pesquisa entrevistou 1,5 mil alunos do 3º ano do ensino médio de 18 escolas públicas e privadas do país.
A pesquisadora da fundação e supervisora do estudo, Bernadete Gatti, disse que existe uma contradição entre o que os jovens pensam do “ser profissional” e o trabalho real do docente. “Para eles, ser professor é uma profissão bonita, mas o trabalho é encarado com limitações e dificuldades. Os alunos acham que para ser professor é preciso gostar muito do que faz, porque é algo pesado e frustrante”, revelou ela. Os alunos do ensino médio acreditam ainda que é preciso ter muita paciência para seguir a carreira.
O estudo, encomendado pela fundação Victor Civita, apontou também as principais causas da desistência. Responsável por 40%, a baixa remuneração é um fator decisivo. A dificuldade que o professor é obrigado a passar no dia-a-dia também é outro fator relevante, 17% dos jovens lembram o desinteresse e desrespeito dos próprios alunos para com o professor em sala de aula.
Bernadete ressaltou a melhora nas políticas públicas para a educação como ponto central para melhorar o setor e, consequentemente, aumentar a atratividade da carreira. “Precisamos pensar em o que é valorizado neste modelo de educação atual, o que é oferecido ao profissional. É preciso estruturar planos de carreira que envolvam progressão e salários melhores. Assim, a docência será profissionalizante e atrativa. Reestruturar é um caminho longo, mas é preciso ter a visão clara de que esse profissional é o fundamento de uma nação”, concluiu a pesquisadora.
(Envolverde/Aprendiz) |