04/09/2006

22ª Conferência Mundial de Educação Aberta

Especialistas discutem modelos internacionais de Educação a Distância


A máfia das universidades falsas na Internet

Você quer fazer um curso a distância numa universidade no exterior? Cuidado ao procurar pela Internet. Há, no mundo todo, centenas de portais bonitinhos, mas ordinários, um problema apresentado pelo palestrante Henrik Hansson, da Universidade de Estocolmo em sua palestra realizada na manhã desta quarta-feira, 6. Ele colheu mais de 200 exemplos e apresentou alguns para a platéia.

Há fraudes de todo o tipo: desde clones de URL de grandes universidades, renomadas no mundo todo, até aquelas completamente falsas, que inserem seus nomes entre boas universidades em portais que rankeiam a lista das melhores IES. Há ainda aquelas que colocam nomes parecidos aos de grandes universidades. Nem a terminação .EDU no endereço é garantia de nada. Há muitas falsas com esta terminação. Clique para ler o texto na íntegra.

Para secretário, Brasil é carente em infra-estrutura

Para o secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, a principal carência do Brasil na área é em infra-estrutura tecnológica. Em entrevista, ele aponta os setores que precisam de mais investimento e comenta a parceria com países de língua portuguesa. Clique para ler o texto na íntegra.

Em cada país, uma definição de qualidade

Será possível pensar em padrões de qualidade globais para Educação a Distância e estabelecer políticas comuns a todos os países? Esse foi o principal questionamento feito pelos palestrantes da última seção plenária da 22ª Conferência Mundial, nesta quarta-feira, 6, mediada pelo secretário de Educação a Distância do MEC, Ronaldo Mota.

"Qualidade é atingir metas que mudam durante o processo. Cada sociedade tem um contexto e uma ideologia diferente, o que pressupõe metas diferentes. Portanto, é difícil estabelecer uma só definição de qualidade para todas", afirmou o palestrante Henrik Hansson, da Universidade de Estocolmo. Ele fala com embasamento: apresentou a pesquisa que fez sobre políticas de Educação a Distância em 30 países europeus, na qual concluiu que cada um tem políticas com focos diferentes. Clique para ler o texto na íntegra.

Na China, há como adquirir um diploma sem ter cursado uma universidade

Em 1981, o governo chinês lançou um sistema de exames em diversas áreas de estudo que dá, a quem passar, um certificado de Ensino Superior. Não importa se o aluno estudou sozinho, fez uma graduação a distância, tem só até o Ensino Médio ou cursou apenas um ano de uma universidade comum. Desde que ele passe, recebe o diploma, reconhecido pelo governo chinês como se o estudante tivesse cursado uma universidade formal.

Chamado "Self Taught Higher Education System" (STE), o sistema - apresentado em uma das palestras desta terça-feira, 5 - consiste também em vender e disponibilizar pela Internet guias de como fazer a prova, como estudar e como ensinar (no caso de professores). As provas abrangem áreas tais como: Economia, Direito, Litratura, Educação, Engenharia, Agricultura, Ciências e Medicina. Os exames são realizados em períodos específicos do ano e têm duração de 2 a 4 dias, dependendo da área. Os resultados são divulgados em aproximadamente dois meses e aí o aluno que passou já pode sair com seu diploma debaixo do braço para o mercado de trabalho.

O objetivo do programa é promover acesso igualitário e fácil para a educação superior para aqueles que já estão trabalhando e não tiveram oportunidade de receber uma educação superior formal. Com isso facilitar o upgrade do nível de qualificação da força trabalhadora da China, necessária para o desenvolvimento social e econômico do País.

Como definir padrões de qualidade em EAD

A avaliação da qualidade dos cursos ofertados a distância é ainda um desafio mesmo nos países que já vivenciaram um crescimento sustentado e significativo desta modalidade de ensino. Os EUA são um exemplo. Apesar do crescimento vertiginoso da oferta e adesão de cursos on-line, a política de educação superior - incluindo programas de financiamento do governo federal - está ainda baseada em abordagens tradicionais e voltada para aquele estudante jovem, na faixa dos 18 anos, que se dedica full-time aos estudos e mora no campus durante 4 ou 5 anos. Este não é o perfil do aluno de EAD, que em geral é mais velho - está na faixa dos 35 anos - já é profissional e muitas vezes tem família. Quanto mais cresce a necessidade de contínua atualização profissional, mais cresce a procura por cursos de EAD.

Na última década, o número e a popularidade de cursos de Ensino Superior a distância nos Estados Unidos cresceu assustadoramente. A University of Maryland University College (UMUC) é o maior retrato disso. Ela tem uma das maiores iniciativas acadêmicas em EAD do mundo e viu o número de inscrições para seus cursos crescer 615% de 1999 para 2005 (o número saltou de 20 mil no primeiro ano para 143 mil no último), e por isso foi um dos cases apresentados na palestra "Evaluating Quality in Fully Online U.S. University Courses" (Avaliando a Qualidade dos Cursos de Ensino Superior a Distância das Universidades Americanas), ministrada na manhã desta terça-feira, 5 de setembro. Clique para ler o texto na íntegra.

Por uma comunidade de países de língua portuguesa

Seguindo a tendência mundial da "integração entre países" - primeiro em mercados econômicos -, agora o que começa a ser discutido é a integração de países na Educação, algo possível com as novas tecnologias utilizadas na Educação a Distância. Os países de língua portuguesa, acompanhando esta tendência, começam a discutir um projeto ambicioso: integrar, numa única rede, um sistema de educação a distância que congregue oito países que têm o português como língua oficial. Seriam 250 milhões de pessoas de diferentes realidades culturais e sócio-econômicas contectadas.

Este foi o tema do Segundo Encontro para Países de Língua Portuguesa, onde estiveram reunidos representantes de IES de Portugal, Moçambique, Brasil e Guiné Bissau. Também estavam presentes uma pesquisadora da Unicamp (Universidade de Campinas), a linguista Cláudia Wanderlei, que apresentou a sua pesquisa realizada em parceria com a UNESCO - Multilinguismo no Mundo Digital - e o empresário Alex Lucena, diretor da Eduweb, uma provedora de tecnologia e desenvolvimento de conteúdo que acredita no projeto de união dos países de língua portuguesa. Clique para ler o texto na íntegra.

Coerência epistemológica e prática

Para alcançar a supremacia pedagógica em EAD é preciso coerência entre epistemologia, design e programação. É o que defendeu Beatriz Fainholc, da National University of La Plata, que ministrou a palestra "Collaboration Towards Creating Capaciteis Through ICT Distance Education Progrmas: a search for epistemological coherence between their design and its practice".

Para alcançar esta coerência, é preciso haver o diálogo constante entre designers, tutores e programadores. Deixar bastante explícito os fundamentos epistemológicos e tecnológicos. "É preciso estar claro que se quer fazer e o que é possível implementar, aliar expectativa, planejamento e o que é possível", frisou Beatriz.

Além disso, segundo ela, é preciso levar em consideração: a perspectiva sócio-cognitiva para entender, construir e pesquisar interações sociais dos estudantes com os equipamentos tecnológico analisar e escolher propostas educacionais de acordo com o cenário sócio-cultural e a diversidade de autores respeitar a diversidade, e aplicar diferentes alternativas para solucionar problemas complexos.

Educação de qualidade é a chave para o desenvolvimento

"Se dermos ao povo dinheiro bastante para viver e casa para morar, será suficiente?", perguntou Alwyn Louw, da University of South Africa, em sua palestra "Distance Education in the Service of Humanity: reflections on engagement toward development". A resposta, ele mesmo deu: "não". Para dar liberdade e devolver auto-estima a um povo, a educação de qualidade é fundamental, explicou. Louw focou sua palestra mais na teoria da importância da educação de qualidade do que citando cases com soluções práticas. Frisou a importância da EAD na difusão da educação para devolver ao povo a auto-estima e resgatar sua identidade. Clique para ler o texto na íntegra.

Universidade proativa: fale com seus alunos e ouça-os!

Uma experiência vivida pela Open University do Reino Unido revela a necessidade do professor ir até o aluno e não apenas esperar que este peça ajuda. O relato foi feito na palestra "Apoio ao aluno e alcance da qualidade", ministrada por Patrick Kelly e Anne Gaskel, da Open University do Reino Unido. Foi exposto o sistema de feedback implantado pela IES (Instituições de Ensino Superior) que em 2005 e 2006 ficou em primeiro lugar no ranking de universidades do Reino Unido no quesito "satisfação do aluno".

"Nos nossos anos de experiência, descobrimos que os estudantes que vão atrás de apoio do professor-tutor são aqueles que já têm uma boa formação. Os mais fracos - que são os que mais precisam - não procuram ajuda. Então somos nós que temos de ir atrás deles de modo a motivá-los a continuar o curso", disse Kelly. Clique para ler o texto na íntegra.

Do preconceito à valorização

Os conferencistas que participaram da abertura da 22ª Conferência Mundial de Educação Aberta frisaram a mudança de patamar da Educação a Distância, antes vista com preconceito e como categoria "menor" dentro da Educação e agora altamente valorizada como meio de inclusão social, modernização e base para o desenvolvimento econômico, político e social na Sociedade do Conhecimento. A abertura funcionou como uma espécie de apresentação do que é feito no Brasil para os membros de 79 países presentes no evento e para apresentar aos brasileiros o trabalho do ICDE com mais profundidade.

A palestra de destaque da noite foi a de Abdul Khan, secretário da UNESCO, e ex-reitor da Universidade Aberta de Indira Gandhi, na Índia, que conta com um milhão e meio de estudantes. Ele contextualizou a Educação a Distância na Sociedade do Conhecimento, pontuou reflexões fundamentais na área atualmente e apresentou soluções para questões essenciais. Clique aqui para ler o texto na íntegra

Pela primeira vez, Brasil sedia o evento da ICDE

Esta é a primeira vez que o Brasil sedia um dos mais destacados eventos mundiais de Educação no mundo. "Promovendo Qualidade na Educação On-line, na Educação Flexível e na Educação a Distância" é o tema deste ano da 22ª Conferência Mundial de Educação Aberta e a Distância, que vai até quarta-feira no hotel Sofitel, no Rio de Janeiro.

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